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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.


           A Fábula da Águia e da Galinha.


Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, 
a fim de mantê-lo cativo em casa.
Conseguiu pegar um filhote de águia.
Colocou-o no galinheiro junto às galinhas.
Cresceu como uma galinha.
Depois de cinco anos, esse homem recebeu em casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeava pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato, disse o homem. É uma águia, mas eu a criei como galinha. Ela não 
é mais águia. É uma galinha como as outras.
- Não, retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Este coração
a fará um dia voar às alturas.
- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. 
O naturalista tomou a águia, 
ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:
- Já que você de fato é uma águia, 
já que você pertence ao céu e não à terra,
então abra suas asas e voe!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista.
Olhava distraidamente ao redor.
Viu as galinhas lá em baixo, ciscando grãos.
E pulou para junto delas.
O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não, tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E
uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar 
novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.
Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas, quando a águia viu lá em baixo as galinhas ciscando o chão, 
pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou a carga:
- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia
e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar
ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram 
bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma
montanha. O Sol estava nascendo e dourava os picos da montanha.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, 
já que você pertence ao céu e não à terra,
abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse 
nova vida. Mas não voou. 
Então, o naturalista segurou-a firmemente,
bem na direção do Sol, 
de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade
e ganhar as dimensões do vasto horizonte.
Foi quando ela abriu suas potentes asas.
Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar,
a voar para o alto
e voar cada vez mais para o alto.
Voou e nunca mais retornou.
Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas
e ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas.
Porém é preciso ser águia.
Abrir as asas e voar.
Voar como as águias.
E jamais se contentar com os grãos
que jogam aos pés para ciscar.


                                                    ( L.B. )


                           Beijuusss, 
                                           Nallu Ferreira.








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