- Comecei com maconha aos 13 anos.
- 13 anos?
- Sim.
- E seus pais não notaram que você estava usando?
- Não, apanhei muito por chegar em casa, como dizia meu pai, bêbado, já que também bebia e automaticamente associava o cheiro da bebida, a todo o meu estado físico.
- Então também bebia?
- Na verdade, só usava a bebida como uma forma de disfarçar o cheiro da maconha, entende?
- Ah tá, tipo você camuflava um cheiro com o outro e os sintomas que percebiam deduziam errado.
- Isso.
- Bom, mas continua.
- Tá ... como já disse comecei com a maconha, depois comecei a usar cocaína. Já experimentei algumas drogas sintéticas e me piquei 2 vezes, mas parei. É uma onda muito pesada para mim.
- Hummmm, por que você começou a usar maconha, foi curiosidade?
- Sim, eu surfava e andava de skate e sempre via alguns caras usando, e um dia quis saber como era a tal onda que eles tanto falavam, aí experimentei.
- E pelo visto gostou do que sentiu.
- Ah, a primeira vez foi muito louco, fiquei meio que aéreo sabe, as coisas ao meu redor ficaram tão suaves, me senti como que flutuando num sonho e me veio uma sensação tão grande de paz, calmaria mesmo.
- Hummmm ...
- Então, toda vez que me sentia triste ou deprimido por algo que acontecesse lá em casa, corria e usava para me acalmar.
- Hummmm ... então começou a usar como um certo tipo de fuga, para o que estava sentindo de ruim em algum momento na sua vida?
- Sim, começou a ser o meu remédio contra as coisas ruins que me aconteciam. Não tinha ninguém para desabafar, por pra fora, então me anestesiava para amenizar as coisas ao meu redor.
- E me diz, de verdade, amenizavam?
- Para mim, naquela época sim, ao menos o meu estado emocional se revertia, ao menos quando estava ainda dentro da onda, e isso para mim era o que importava.
- Como assim dentro da onda?
- Enquanto a droga estava agindo na minha mente, no meu corpo, era uma anestesia para os meus maus sentimentos. Me sentia, toda vez que usava, super bem e esta sensação fez com que o uso se tornasse cada vez mais frequente, até chegar ao ponto que mesmo não acontecendo nada, me via querendo tornar a sentir aquela calmaria novamente.
- E sua família, pelo visto, nada de perceber ainda.
- Não, como te disse sabia camuflar muito bem, fora que depois de algum tempo, o hábito de beber, realmente começou a fazer parte dos meus gostos.
- De tanto bebericar para disfarçar, acabou tomando gosto pela bebida também.
- Sim, como dizem, um vício puxa o outro, né.
- É o que dizem.
- Mas é verdade, comigo foi nessa ordem: a maconha, a bebida e depois o cigarro.
- Caramba, você se amava hem!
- É ... me amo pra caralho como pode perceber.
- Mas você disse que também usava cocaína, quando começou e por quê?
Continua.

Nenhum comentário :
Postar um comentário