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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Continuação.

- Comecei com maconha aos 13 anos.
- 13 anos?
- Sim.
- E seus pais não notaram que você estava usando?
- Não, apanhei muito por chegar em casa, como dizia meu pai, bêbado, já que também bebia e automaticamente associava o cheiro da bebida, a todo o meu estado físico.
- Então também bebia?
- Na verdade, só usava a bebida como uma forma de disfarçar o cheiro da maconha, entende?
- Ah tá, tipo você camuflava um cheiro com o outro e os sintomas que percebiam deduziam errado.
- Isso.
- Bom, mas continua.
- Tá ... como já disse comecei com a maconha, depois comecei a usar cocaína. Já experimentei algumas drogas sintéticas e me piquei 2 vezes, mas parei. É uma onda muito pesada para mim.
- Hummmm, por que você começou a usar maconha, foi curiosidade?
- Sim, eu surfava e andava de skate e sempre via alguns caras usando, e um dia quis saber como era a tal onda que eles tanto falavam, aí experimentei.
- E pelo visto gostou do que sentiu.
- Ah, a primeira vez foi muito louco, fiquei meio que aéreo sabe, as coisas ao meu redor ficaram tão suaves, me senti como que flutuando num sonho e me veio uma sensação tão grande de paz, calmaria mesmo.
- Hummmm ...
- Então, toda vez que me sentia triste ou deprimido por algo que acontecesse lá em casa, corria e usava para me acalmar.
- Hummmm ... então começou a usar como um certo tipo de fuga, para o que estava sentindo de ruim em algum momento na sua vida?
- Sim, começou a ser o meu remédio contra as coisas ruins que me aconteciam. Não tinha ninguém para desabafar, por pra fora, então me anestesiava para amenizar as coisas ao meu redor.
- E me diz, de verdade, amenizavam?
- Para mim, naquela época sim, ao menos o meu estado emocional se revertia, ao menos quando estava ainda dentro da onda, e isso para mim era o que importava.
- Como assim dentro da onda?
- Enquanto a droga estava agindo na minha mente, no meu corpo, era uma anestesia para os meus maus sentimentos. Me sentia, toda vez que usava, super bem e esta sensação fez com que o uso se tornasse cada vez mais frequente, até chegar ao ponto que mesmo não acontecendo nada, me via querendo tornar a sentir aquela calmaria novamente.
- E sua família, pelo visto, nada de perceber ainda.
- Não, como te disse sabia camuflar muito bem, fora que depois de algum tempo, o hábito de beber, realmente começou a fazer parte dos meus gostos.
- De tanto bebericar para disfarçar, acabou tomando gosto pela bebida também.
- Sim, como dizem, um vício puxa o outro, né.
- É o que dizem.
- Mas é verdade, comigo foi nessa ordem: a maconha, a bebida e depois o cigarro.
- Caramba, você se amava hem!
- É ... me amo pra caralho como pode perceber.
- Mas você disse que também usava cocaína, quando começou e por quê?




                                                                                          Continua.


                                                                           

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.




                                                        Mude.


Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante do que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, 
observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente no campo,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos ...
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama ... depois, 
procure dormir em outras camas da casa.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais ...
leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado ... outra marca de sabonete,
outro creme dental ... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro,
compre novos óculos, escreva versos e poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
Grite o mais alto que puder no espaço vazio.
Deixem pensar que você está louco.
Aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
lona, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores
do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
A positividade que você está sentindo agora.
Só o que está morto não muda!


                                                       ( E.M. )




                                Beijuusss,
                                                Nallu Ferreira.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Continuação.

- JP você poderia ter se revoltado e se envolvido com vários tipos de pessoas não tão legais, com coisas não tão legais também. Entende o que quero dizer, né?
- Sim, entendo. E saiba que essas pessoas e coisas, também, de certa forma, chegaram sim a mim e que  não sou tão correto e digno de admiração assim não, nem tão pouco tão centrado como você acha.
- Hummmm, o que quer dizer com isso, posso saber?
- Até pode, depois de tudo que te contei, acho que isso tá até dentro do normal humano, não é algo tão raro de acontecer, pelo contrário, já faz parte do cotidiano de muita gente e do meu, diariamente.
- Do que está falando?
- Das coisas que você considera não legais, se é que estamos falando a mesma língua, acredito eu que sim, e você?
- Bom, pelo seu modo de falar, vejo que está meio cauteloso em relação a isso, então, vou ser bem clara, estou, quando me referi a pessoas e coisas não legais, querendo dizer traficantes e drogas mesmo. E então, estamos falando a mesma língua?
- Sim, perfeitamente.
- Então me tira uma duvida que pairou aqui.
- Sim.
- Quando fala em fazer parte do seu cotidiano diariamente, esse diariamente quer dizer exatamente o que, que você convive com esse tipo de gente, digo com viciados em drogas, pois não acredito que você tenha uma convivência diária com algum traficante, ou você é um viciado, digo usuário?
- De certa forma os dois.
- Como assim os dois?
- Não tem como você ser um usuário sem se comunicar com um traficante, e quando você usa, automaticamente se aproxima de outras pessoas que fazem o mesmo que você.
- Hummmm ...
Houve um silêncio que durou alguns minutos, pois o mesmo fora quebrado com a chegada em sua janela por uma mensagem vinda dela.
- Me desculpa o silêncio, mas vou te confessar, fiquei um pouco chocada com o que acabara de me dizer.
- É, percebi pela ausência de palavras e posso saber por quê ficou assim?
- Você não parece nem um pouco com alguém que faz essas coisas, não tem o perfil de um usuário.
- E qual é o perfil de um usuário, posso saber?
- Ah sei lá, acho que uma pessoa insegura, que não sabe o que quer, o que fazer, que não tem vida, na verdade nem sei qual é o perfil de um usuário, mas você não tem cara de quem usa essas coisas.
- KKKKKKKKKK, ou seja, você acha que uma pessoa para ser algo, precisa estar estampado na cara dela o que ela faz, é isso, tipo um cartão de visitas?
- Não, ah pra falar a verdade não sei te explicar direito.
- Tudo bem, eu entendi o que você quis dizer, realmente têm usuários que tá escrito mesmo na testa: "Eu uso drogas!"; mas isso na realidade, não é propriamente uma regra, conheço muitas pessoas que tem cara e não fazem nada e ao contrário outras que não têm, assim como eu, e são altamente viciadas.
- Você é altamente viciado?
- Altamente não sei, mas não me considero um simples usuário que fica de boa se ficar num período muito longo em abstinência.
- Então se considera um dependente?
- Sim, sou e tenho consciência disso.
- Então por que não procura um tratamento? 
- Acho que porque ainda não bateu aquela vontade de verdade mesmo de parar, já tentei ficar sem usar, até consegui mas não durou muito tempo não.
- Hummm, entendi ... me conta, como começou a usar, alias, se você quiser falar também, o que você  usa?




                                                       Continua.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.




                                                     A Águia.


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. 
Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos ela está com:
As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta.
O bico alongado e pontiagudo se curva, apontando contra o peito.
As asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das pernas e voar já é tão difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: Morrer ...
... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho 
próximo a um paredão onde ela não necessita voar.
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede
até conseguir arrancá-lo.
Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas.
Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.
E só após cinco meses sai para o famoso voo de renovação
e para viver então mais 30 anos.
"Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo
e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitórias, devemos nos desprender de lembranças,
costumes e outras tradições que nos causam dor.
Somente livre do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado
valioso que uma renovação sempre traz."
   
                                                                       ( A.D. )




                          Beijuusss, 
                                          Nallu Ferreira.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Continuação.

- Bom, sei que quando cheguei na casa desse meu amigo, conversei com ele por alto sobre tudo o que me ocorrera. Tomei um banho, me troquei e comi algo, logo a seguir fui para a agência começar a correr atrás do meu prejuízo. 
Esse meu amigo dividia o apto com outros caras, ele me pediu que voltasse para lá depois que resolvesse o meu lance lá na agência, pois conversaria com os amigos para ajeitar uma vaga para ficar ali com eles, e foi o que fiz.
- E conseguiu arrumar alguma coisa?
- Nesse dia não, voltei para o apto desse meu amigo e fiquei por lá mesmo dividindo as despesas com todos. Três dias depois de estar morando com ele, fui até a academia de um outro amigo conhecido meu e como já era formado em Educação Física, consegui arrumar um trampo de personal, e a partir daí, comecei a ajeitar a minha vida. Os trabalhos como modelo começaram a aparecer com mais frequência, até que em um determinado momento, já não estava mais dando para conciliar os dois trabalhos, aí, é claro, resolvi largar o trabalho na academia e seguir única e exclusivamente com a carreira de modelo.
- Poxa, que legal que as coisas, apesar de tudo, seguiram de forma positiva para você.
- Sim, e vou te falar, bem mais do que esperava, pois 8 meses depois de tudo isso, surgiu uma oportunidade de fazer um trabalho em Nova Iorque e é claro, não pensei 2 vezes, embarquei e algo que estava previsto para rolar apenas por 4 ou 5 dias, durou 3 anos.
- Nossa, que legal, você ficou 3 anos direto em Nova Iorque?
- Não direto, direto, vinha sim ao Brasil para fazer alguns trabalhos, mas coisa rápida mesmo. A situação se inverteu : passei a morar em Nova Iorque e vir ao Brasil para fazer alguns trabalhos.
- Virou um modelo internacional, então?
- É, por uma atitude, que para o meu pai, foi considerada apenas uma afronta de um moleque inconsequente, hoje, aos 25 anos, tenho uma vida, posso dizer estruturada e tranquila. É claro que não posso nem pensar em parar de trabalhar, afinal, não sou nenhum milionário, mas se for olhar para trás e relembrar como e com quanto cheguei aqui no Rio ... nossa, a guinada foi de 360º, totalmente, kkkkkkkkkkkk .
- É, realmente ...vou te falar, você é um vencedor mesmo. Mesmo tendo passado por tudo o que passou, se manteve firme, centrado. Olha, você é de se admirar muito.
- Brigadão mesmo, mas não tinha como agir diferente, tava de certa forma sozinho caramba, tinha que me virar da melhor forma possível.
- Sim, sei disso, mas você também sabe que não é bem assim não. Poderia sim, ter agido de outra forma, não tão benéfica e vitoriosa para você.
- Como assim?




                                                                        Continua.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.

  


                                             O Valor das Pequenas Coisas.


Em cada indelicadeza, assassino um pouco aqueles que me amam.
Em cada desatenção, não sou nem educado, nem cristão.
Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado.
Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que vivem comigo.
Em cada perdão que eu negue, vai um pedaço do meu egoísmo.
Em cada ressentimento, revelo meu amor-próprio ferido.
Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no céu,
Em cada omissão que pratico, rasgo uma folha do evangelho.
Em cada esmola que eu nego, um pobre se afasta mais triste.
Em cada oração que não faço, eu peco.
Em cada juízo maldoso, meu lado mesquinho se aflora.
Em cada fofoca que faço, eu peco contra o silêncio.
Em cada pranto que enxugo, eu torno alguém mais feliz.
Em cada ato de fé, eu canto um hino à vida.
Em cada sorriso que espalho, eu planto alguma esperança.
Em cada espinho, que finco, machuco algum coração.
Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão.
Em cada rosa que oferto, os anjos dizem: Amém!


                                                                          ( R.S. )


                               Beijuusss, 
                                               Nallu Ferreira.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Continuação.

- Assim que me vi do lado de fora, fiquei completamente paralisado, sabe? Me mantive por alguns minutos completamente perdido, de repente senti um vazio dentro de mim, uma angustia, um aperto no peito, um nó na garganta, ainda olhei para a porta que havia se fechado em minhas costas, e parado ali dei uma ultima olhada em tudo que estava ao meu redor. O engraçado é que, enquanto olhava tudo, um fleche surgiu na minha mente, não dos momentos ruins que vivi ali, mas sim, de todos os que fui feliz ao lado do meu irmão, da minha mãe ...
- Poxa JP, nem sei o que ti dizer.
- Não precisa dizer nada, afinal, há momentos na vida da gente que nada que possa ser dito alivia algumas dores.
- É, sei disso. Mas você foi para onde, já que ainda não tinha ajeitado nenhum canto para você?
- Para lugar nenhum, naquele dia, como já te disse, após ter saído de casa, fiquei um pouco perdido. Os pensamentos, sentimentos estavam completamente embaralhados na minha cabeça, sei que andei até a praia e fiquei por lá sentado, pensando em tudo o que acabara de acontecer comigo e adormeci ali mesmo. No dia seguinte, fui para Búzios, para a casa de uma amiga, conversei um pouco com ela e disse que viria para o Rio, só não revelei que ainda não tinha onde ficar chegando aqui. Não queria que se preocupasse comigo, já tinha vários problemas para resolver, eu não seria mais um.
- Hummmm, entendo.
- Dai, depois de algumas horas peguei um ônibus e quando vi tava aqui, completamente sozinho e sem saber que direção daria a minha vida, daquele momento em diante.
- Não conhecia ninguém aí não, nessa época?
- Conhecer até que conhecia, mas sabe como é né, eu estava completamente desorientado, perdidão mesmo e não queria contar para ninguém o que havia acontecido comigo. Acho que no fundo tava com vergonha de falar que tinha um pai como o meu, já que todos os meus amigos, tinham pais tão legais, uma família tão diferente que a minha ... com brigas sim, divergências, mas que era perceptível o carinho que tinham uns pelos outros.
- Sei o que quer dizer.
- Então, por um pouco de vergonha fiquei nesse dia meio que perambulando pelo Rio. Tava com uma grana, mas precisava controlar, pois tinha de comer, arrumar um canto para alugar, me locomover. Sei que quando vi, já tava mais uma vez na praia e que novamente, seria onde dormiria outra vez.
- Hummmm.
- No dia seguinte resolvi procurar um amigo que considero como a um irmão, pois já tava largadaço e precisava tomar um banho e mudar de roupa, pois tinha de começar a correr atrás de um trampo, não podia ficar perambulando pelas ruas do Rio sem direção nenhuma.
- Sim, mas você ainda não era modelo não?
- Sim, já era, mas não fazia muita coisa, apareciam alguns trabalhos. Tipo, pingava uma coisa aqui outra ali, mas nada com muita sequencia, entende?
- Sim, tô te entendendo.
- Fora que não podia aparecer na agência com a aparência de um mendigo. Tinha ao menos, de estar com uma cara do tipo "tô de boa", saca?
- Sim.


                                                           Continua.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.



                                                      Construa Com Sabedoria.


Um velho carpinteiro estava pronto para se aposentar.
Ele informou ao chefe seu desejo de sair da indústria de construção
e passar mais tempo com sua família.
Ele ainda disse que sentiria falta do salário,
mas realmente queria se aposentar.
A empresa não seria muito afetada pela saída do carpinteiro,
mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo
e ele pediu ao carpinteiro para trabalhar em mais um projeto como um favor.
O carpinteiro concordou,
mas era fácil ver que ele não estava entusiasmado com a idéia.
Ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade
e usando materiais inadequados.
Foi uma maneira negativa dele terminar sua carreira.
Quando o carpinteiro acabou, 
o chefe veio fazer a inspeção da casa.
E depois ele deu a chave da casa para o carpinteiro e disse:
" Essa é a sua casa. Ela é o meu presente para você".
O carpinteiro ficou muito surpreso. Que pena!
Se ele soubesse que ele estava construindo sua própria casa,
ele teria feito tudo diferente.
O mesmo acontece conosco.
Nós construímos nossa vida,
um dia de cada vez e muitas vezes fazendo menos
que o melhor possível na construção.
Depois com surpresa nós descobrimos que nós
precisamos viver na casa que construímos.
Se nós pudéssemos fazer tudo de novo, 
faríamos tudo diferente.
Mas não podemos voltar atrás.
Você é o carpinteiro.
Todo dia você martela pregos,
ajusta tábuas e constrói paredes.
Alguém disse que "A vida é um projeto que você mesmo constrói".
Suas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a "casa" que você vai morar amanhã.
Construa com sabedoria!


                                           ( V.F. )


                           Beijuusss,
                                          Nallu Ferreira.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Continuação.

- Não ... mesmo sentindo a dor que me chegava através dos olhos dela, me mantive firme em minha decisão. Só que com uma pequena diferença, as palavras dele, me fizeram sentir uma raiva tão grande, que até quele momento, nem a mais dolorosa das surras, me fizeram sentir. Afastei delicadamente minha mãe, que se encontrava abraçada a mim e com os olhos fixos nos meus. Olhei para ele  e o encarando disse que já que ele achava que tinha de ser daquele jeito, que então o seria. Disse que o todo poderoso, veria mais uma vez sua vontade cumprida - percebi que começava a esboçar um sorriso quando se espantou com o término do que dizia - avisei que pegaria algumas coisas minhas e sairia imediatamente de dentro da prisão que ele insistia chamar de casa.
- Você é doido?
- Não, só também não voltaria atrás.
- Mas continua.
- Sim ... fui até o meu quarto peguei minha mochila, pus algumas peças de roupa e quando voltei, ele estava em pé ao lado da porta, mantendo essa aberta com uma das mãos. Dei uma olhada rápida para os meus irmãos e uma mais prolongada para minha mãe e pedi que ela me perdoasse, depois segui em direção à porta, antes que me pudesse sair, ele me parou com suas palavras, mandou que pensasse bem, pois no momento que a porta se fechasse, não haveria mais volta, eu poderia me considerar sozinho no mundo. Que nem que implorasse, permitiria que voltasse a pisar naquela casa. Respondi que estava ciente disso, pois sabia com que tipo de pessoa estava lhe dando, afinal haviam sido 18 anos convivendo e vendo os seus desmandos, e que mesmo sabendo que no fundo essa era a vontade dele - me ver voltando rastejando e implorando o seu perdão - disse que ficasse tranquilo, preferia morrer a minguas a implorar o perdão de um tirano como ele, e sai. 
Ainda consigo ouvir o som da porta que foi arremessada, pela ira como fora fechada.
- Caramba JP, tô aqui atônita com tudo isso que me contou, parece mais uma novela do que vida real.
- É parece, mas posso te garantir que é pura realidade.
- Sim, sei disso, é que é tudo tão absurdo, nunca imaginei que um pai tivesse coragem de fazer isso com um filho.
- Para falar a verdade, mesmo conhecendo ele como conhecia, aliás, achava né, não imaginava que agiria assim comigo.
- Entendo, mas e depois que você saiu, como foi ... para onde foi?




                                                                 Continua.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.


                                             Há Quem Passe Pela Vida ...


Há quem passe e deixe só cicatrizes,
Há quem passe semeando flores.
Há quem passe banhando-nos em lágrimas,
Há quem passe disposto a secá-las.
Há quem passe torcendo por nossa vitória,
Há quem passe aplaudindo nossos fracassos.
Há quem passe ajudando-nos a levantar,
Há quem passe fazendo-nos cair.
Há quem passe como sombra,
Há quem passe como luz.
Há quem passe como pedra no caminho,
Há quem passe como pedra de construção.
Há quem para todo deslize veja uma falha irreparável,
Há quem nos ofereça o perdão.
Há quem ignore nossos erros,
Há quem nos ajude a corrigir.
Há quem passe rápido, veloz, despercebido,
Há quem deixe marcas profundas.
Há quem simplesmente passe,
Há quem fique para sempre no coração.
Há quem passe pela vida,
Mas, há quem não deixe a vida passar
Sem um gesto de carinho,
Sem o Amor ofertar!


                                        ( R.C.S. )




Beijuusss,
               Nallu Ferreira.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Continuação.

- Olhando nos meus olhos, me perguntou bem firme se realmente estava certo do que acabara de falar para ele. Disse que sim, e que era só arrumar um canto para ficar, alguma casa, kitinet, até mesmo um quarto, poria em prática minha decisão.
- Hummm, entendi, e ele, o que falou?
- Fez o que jamais esperava, começou a rir da minha cara e do nada parou. E, então, com um olhar que fervilhava de tanto ódio, me perguntou se realmente, depois de toda aquela afronta que acabara de fazer à ele, de falar todas aquelas besteiras ridículas, acharia mesmo que ele simplesmente voltaria ao que estava fazendo e esperaria que eu arrumasse meu cantinho, para aí sim, tomar a grande decisão da minha vida.
- O que ele queria dizer com isso?
- Queria, mais uma vez, me mostrar o seu poder, deixar bem claro para mim que ninguém, fora ele, tinha o direito de tomar decisão alguma, sem o seu consentimento, e se isso ocorresse, essa decisão sempre teria a palavra final dele.
- Como assim, não estou te entendendo?
- Mas vai entender.
- Após falar isso para mim, disse que, ao contrário do que eu pensava, não iria ficar esperando, que já que queria sair de casa, que fizesse isso naquele momento e não quando eu quisesse. Eu disse que não tinha para onde ir aquela hora, e ele me respondeu que isso não era problema dele. Seria sim, se eu repensasse tudo o que havia dito e lhe pedisse desculpas, desculpas não perdão, pois aí sim voltaria a ser um membro de sua família, e como tal, responsabilidade dele. Caso contrário, que me pusesse o mais rápido possível porta à fora, e que poderia me considerar, a partir dessa atitude, uma pessoa só no mundo, pois assim como ele o faria, não permitiria que ninguém de dentro daquela casa, mantivesse mais contato comigo ou me considerasse mais alguma coisa. E quando terminou de falar essas últimas palavras, mantinha os olhos fixos em minha mãe.
- Você está brincando né, seu pai realmente estava falando sério quando disse isso?
- Sim ... muito sério, parece exagero né?
- Exagero não, isso é loucura ... nenhum pai é tão duro assim com um filho.
- É ... pois o meu não só foi, como continua sendo.
- E sua mãe, ela não falou nada?
- Falou ...veio e com um olhar quase que me implorando que agisse conforme as palavras que saiam de sua boca, me olhava, mas as palavras eram direcionadas à ele. Dizia que eu iria pedir desculpas sim, que só tinha falado tudo aquilo da boca para fora, mas que jamais sairia de casa daquele jeito, e que continuaria sendo o filho um pouco levado sim, mas amado de ambos.
- Nossa, coitada da sua mãe.
- Sim, ver as lágrimas que saiam dos seus olhos e lhe escorriam pela face, me causaram imensa dor, ainda mais sabendo que eu era o responsável por elas.
- Mas e aí, o que você fez, fez o que ela, mesmo parecendo falar para seu pai, pedia à você?






                                                                     Continua.  

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.


                                      O Rouxinol e a Rosa.


- Ela disse que dançaria comigo se lhe levasse rosas vermelhas-
exclamou o estudante - nas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...
Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho,
o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...
- Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! - disse o estudante,
com os olhos cheios de lágrimas. - Ah! Como a nossa felicidade depende 
de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem 
segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha
é a desgraça da minha vida.
- Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! - disse o Rouxinol.
Tenho cantado o Amor noite após noite,
sem conhecê-lo no entanto;
noite após noite falei dele às estrelas,
e agora o vejo...
O cabelo é negro como a flor do jacinto
e os lábios vermelhos como a flor que deseja;
mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim
e o sofrimento marcou-lhe a fronte.
- Amanhã à noite o príncipe dá um baile, murmurou o estudante,
e a minha amada se encontrará entre os convidados.
Se levar uma rosa vermelha,
dançará comigo até a madrugada.
Somente se lhe levar uma rosa vermelha...
Ah...Como queria tê-la em meus braços, 
sentir-lhe a cabeça no meu ombro,
e a sua mão presa a minha.
Não há rosa vermelha em meu jardim...e ficarei só;
ela apenas passará por mim...
Passará por mim ... e meu coração se despedaçará.
- Eis um verdadeiro apaixonado ... - pensou o Rouxinol!
Do que eu canto, ele sofre.
O que é dor para ele é alegria para mim.
Grande maravilha, na verdade, é o Amar!
Mais precioso que esmeraldas
e mais caro que opalas finas.
Pérolas e granada não podem comprá-lo,
nem se oferece nos mercados.
Mercadores não o vendem,
nem o conferem em balanças a peso de ouro.
- Os músicos da galeria - prosseguiu o estudante -
tocarão nos seus instrumentos de corda e, 
ao som de harpas e violinos,
minha amada dançará.
Dançará tão leve, tão ágil, 
que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos,
com suas roupas de cores vivas,
reunir-se-ão em torno dela.
Mas comigo não bailará,
porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe...
- e atirando-se à relva,
ocultou na mão o rosto e chorou.
- Por que esta chorando? - perguntou um pequeno lagarto
a passar por ele, correndo, de rabinho levantado.
- É mesmo! Por que será? - indagou uma borboleta 
que perseguia um raio de sol.
Por quê? sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
- Chora por causa de uma rosa vermelha - informou o Rouxinol.
- Por causa de uma rosa vermelha? - exclamaram
- Que coisa ridícula!
E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.
Mas o Rouxinol compreendeu a angustia do estudante e,
silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.
Subitamente, abriu as asas pardas e voou.
Cortou, como uma sombra, a alameda,
e como uma sombra, atravessou o jardim.
Ao centro da relvado, esguia-se uma roseira.
Ele a viu. Voou para ela e pousou num galho.
- Dá-me uma rosa vermelha - pediu, 
e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!
- Minhas rosas são brancas;
tão brancas quanto a espua do mar,
mais brancas que a neve das montanhas.
Procura minha irmã, a que enlaça o relógio-de-sol.
Talvez te ceda o que desejas.
Então o Rouxinol voou para a roseira,
que enlaçava o velho relógio-de-sol.
- Dá-me uma rosa vermelha - pediu, 
e eu te cantarei minha canção mais linda.
A roseira sacudiu-se levemente.
- Minhas rosas são amarelas 
como os cabelos dourados das donzelas,
ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos
antes da chegada de quem o vai ceifar.
Procura a minha irmã,
a que vive sob a janela do estudante.
Talvez ela possa te ajudar.
O Rouxinol então, dirigiu o voo para a roseira
que crescia sob a janela do estudante.
Da-me uma rosa vermelha - pediu, 
e eu cantarei a mais linda das minhas canções.
A roseira sacudiu-se levemente.
- Minhas rosas são vermelhas, 
tão vermelhas quanto os pés das pombas,
mais vermelhas que os grandes leques de coral 
que oscilam nos abismos profundos do oceano.
Contudo, o inverno regelou-me até as veias,
a geada queimou-me os botões
e a tempestade quebrou-me os galhos.
Não darei rosas este ano.
- Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha.
Não haverá meio de obtê-la?
- Há, respondeu a roseira,
mas é um meio tão terrível, 
que não ouso revelar-te.
- Dize. Não tenho medo.
- Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira,
hás de fazê-la de música, ao luar,
tingi-la com o sangue do teu coração.
Tens de cantar para mim com o peito
junto a um espinho.
Cantarás toda a noite para mim
e o espinho deve ferir teu coração 
e teu sangue de vida deve infiltrar-se 
em minhas veias e tornar-se meu.
- A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha - exclamou
o Rouxinol! - e a Vida é preciosa ...
É tão bom voar, através da mata verde 
e contemplar o sol em seu esplendor dourado 
e a lua em seu carro de pérola...
O aroma do espinheiro é suave, 
e suaves são as campânulas ocultas no vale,
e as urzes tremulas na colina.
Mas o Amor é melhor do que a Vida.
e que vale o coração de um pássaro 
comparado ao coração de um homem?
Abriu as asas pardas para o voo
e ergueu-se no ar.
Passou pelo jardim como uma sombra e, 
como uma sombra, atravessou a alameda.
O estudante estava deitado na relva,
no mesmo ponto em que o deixara,
com os lindos olhos inundados de lágrimas.
- Rejubilá-te - gritou Rouxinol!
Rejubilá-te; terás a tua rosa vermelha.
Vou fazê-la de música, ao luar.
O sangue de meu coração a tingirá.
Em consequencia só te peço que sejas verdadeiro amante, 
porque o Amor é mais sábio do que a filosofia;
mais poderoso que o poder ...
Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo.
Há doçura de mel em seus braços
e seu hálito lembra o incenso.
O estudante ergueu a cabeça e escutou.
Nada pode entender, porem, do que dizia o Rouxinol,
pois sabia apenas o que esta escrito nos livros.
Mas o carvalho entendeu e ficou melancólico,
porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.
- Canta-me um derradeiro canto - segredou-lhe,
sentir-me -ei tão só depois da tua partida.
Então o Rouxinol cantou para o carvalho, 
e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.
Quando o canto finalizou, 
o estudante levantou-se, 
tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.
- Tem classe, não se pode negar - disse consigo, atravessando a alameda.
Mas terá sentimento? Não creio.
É igual a maioria dos artistas,
só estilo, sinceridade nenhuma.
Incapaz de sacrificar-se por outrem.
Só pensa em cantar, 
e bem sabemos quanto a arte é egoísta.
No entanto, é forçoso confessar,
possui maravilhosas notas na voz.
Que pena não terem significação alguma,
nem realizarem nada realmente bom.
Foi para o quarto, 
deitou-se e pensando na amada adormeceu.
Quando a luz refulgia no céu,
o Rouxinol voo para a roseira
e apoiou o peito contra o espinho.
Cantou a noite inteira,
e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito,
e o sangue de sua vida lentamente se ecoou ...
Primeiro descreveu o nascimento do Amor  
no coração de um menino e uma menina;
e , no mais alto galho da roseira,
uma flor desbrochou,
extraordinária, pétala por pétala,
acompanhando um canto e outro canto.
Era pálida, a principio,
qual a névoa que esconde o rio,
pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada.
Como sombra de rosa num espelho de prata,
como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que 
apareceu no mais alto galho da roseira.
Mas a roseira pediu ao Rouxinol
que se unisse mais ao espinho.
- Mais ainda, Rouxinol!- exigiu a roseira, 
senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.
O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho
junto ao peito,
e cada vez mais profundo lhe saía o canto
porque ele cantava o nascer da paixão
na alma do homem e da mulher.
E tênue nuance rosa nacarou as pétalas,
igual ao rubor que invade a face do noivo
quando beija a noiva nos lábios.
Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração
e o coração da flor ainda continuava branco, 
pois somente o coração de um Rouxinol
pode avermelhar o coração de uma rosa.
- Mais ainda, Rouxinol - clamou a roseira,
raiar o dia antes que eu finalize a rosa.
E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho,
e o espinho lhe feriu o coração,
e uma punhalada de dor lhe traspassou.
Amarga, amarga lhe foi a angústia
e cada vez mais fremente foi o canto,
porque ele cantava o Amor que a morte aperfeiçoa,
o Amor que não morre nem no túmulo.
E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina
como a rosa do céu oriental.
Suas pétalas ficaram rubras e, 
vermelho como rubi, seu coração.
Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo,
as pequeninas asas começaram a estremecer
e uma névoa cobriu-lhe o olhar,
o canto tornou-se débil
e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.
Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.
Ouviu-o a lua branca,
esqueceu-se da aurora e permaneceu no cèu.
A rosa vermelha o ouviu,
e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã.
Transportou-o o eco, à sua caverna purpurina, 
nos montes, despertando os pastores de seus sonhos.
E ele levou-os através dos caniços dos rios
e eles transmitiram sua mensagem ao mar.
- Olha! Olha! Exclamou a roseira, a rosa esta pronta, agora.
Ao meio dia o estudante abriu a janela e olhou.
- Que sorte - disse - uma rosa vermelha!
Nunca vi rosa igual em toda a minha vida.
É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim.
E curvou-se para colhê-la.
Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.
- Disseste que dançarias comigo
se eu te trouxesse uma rosa vermelha, lembrou o estudante.
Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo.
Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração,
e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.
A moça franziu a testa.
- Esta rosa não combina com o meu vestido, disse.
Demais, o capitão da guarda mandou-me joias verdadeiras,
e joias, todos sabem, custam muito mais do que flores...
- És muito ingrata! Exclamou o estudante, zangado.
E atirou a rosa a sarjeta,
onde a roda de um carro a esmagou.
- Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão.
E, afinal de contas, quem és?
Um simples estudante ... não acredito que tenhas fivelas de prata,
nos sapatos, como as tem o capitão da guarda... - e a moça
levantou-se e entrou em casa.
- Que coisa imbecil , o Amor! - Resmungou o estudante, afastando-se.
Nem vale a utilidade da lógica, 
porque não prova nada,
está sempre prometendo o que não cumpre
e fazendo acreditar em mentiras.
Nada tem de prático
e como neste século o que vale é a prática,
volto à Filosofia e vou estudar Metafísica.
Retornou ao quarto, 
tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler.


                                                             ( O.W. )
                                         Beijuusss,
                                                          Nallu Ferreira.




































terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.


       A Tigela de Madeira.


Um senhor de idade foi morar com o seu filho,
nora e o netinho de quatro anos de idade.
As mãos do velho eram trêmulas,
sua visão embaçada e seus paços vacilantes.
A família comia reunida à mesa.
Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô
o atrapalhavam na hora de comer.
Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão.
Quando pegava o copo,
leite era derramado na toalha da mesa.
O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.
- Precisamos tomar uma providência com 
respeito ao papai - disse o filho.
- Já tivemos suficiente leite derramado,
barulho de gente comendo com a boca aberta
e comida pelo chão.
Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa
num cantinho da cozinha.
Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família
fazia as refeições à mesa, com satisfação.
Desde que o velho quebrara um ou dois pratos,
sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho,
às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.
Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam
eram admoestações ásperas
quando ele deixava um talher
ou comida cair ao chão.
O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar,
o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão,
manuseando pedaços de madeira.
Ele perguntou delicadamente à criança:
- O que você esta fazendo?
O menino respondeu docemente:
- Oh, estou fazendo uma tigela para você 
e para mamãe comerem, quando eu crescer.
O garoto de 4 anos de idade sorriu
e voltou ao trabalho.
Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais 
que eles ficaram mudos.
Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
Embora ninguém tivesse falado nada,
ambos sabiam o que precisava ser feito.
Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos
e gentilmente conduziu-o à mesa da família.
E por alguma razão,
o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía,
leite era derramado ou a toalha da mesa suja.


                                                                      ( C.S. )


                                       Beijuusss,
                                                       Nallu Ferreira.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Continuação.

- Logo que completei 18 anos tomei essa decisão, já havia me decidido bem antes mas como ainda era menor, quis esperar até alcançar realmente a maior idade.
- Sim.
- Numa noite disse ao meu pai que queria fazer um comunicado a ele, e ele automaticamente se pôs sentado numa das cadeiras e me olhou com um ar de superioridade e com um tom bem autoritário me mandou falar logo. Disse que sairia de casa, pois decidira morar sozinho por não aguentar mais o jeito como nos tratava, e como ele sempre havia deixado bem claro que quem estivesse embaixo do teto dele era obrigado a seguir a suas regras, eu decidira que não o queria mais. Por isso iria procurar um canto para mim, pois era um ser humano e como tal tinha as minhas opiniões e vontades, e não um fantoche para agir de acordo com o que me era designado.
- E ele?
- Nossa o olhar que me deu, tive a impressão que ia pular em cima de mim e mais uma vez tentar me calar a base da porrada, mas não, se levantou e se postou diante de mim e me perguntou: - Então você quer ser o dono da sua vida, quer sair da minha casa para poder fazer todas as merdas que adora, é isso mesmo? 
Disse que queria sim ter a minha vida, mas não para fazer merda alguma. Só queria ter o meu canto e poder ver as minhas opiniões respeitadas também, coisa que ele não sabia fazer com ninguém, só sabia exigir o respeito de todos e nunca fazia o mesmo.
- Você já tinha falado dessa forma com seu pai?
- Já havia tentado sim conversar com ele, mas desse jeito, encarando ele cara a cara, firme, me pondo diante dele como um outro homem e não um filho, dessa forma foi a primeira vez.
- E ele, de certa forma entendeu você?
- Claro que não né, só pela forma que falou comigo já dá para notar que ao contrário, ficou foi com muita raiva, pois achou que eu o estava encarando, afrontando diante de toda a família. Para ele isso foi nada mais que uma afronta de um moleque sem noção alguma, que só sabia pensar e fazer besteiras, e naquele momento tava querendo tirar dele toda a autoridade que ele impunha à todos.
- Entendi.
- O problema é que eu chamei ele para conversar, porque queria fazê-lo antes de já tá com a mochila nas costas saindo de casa, eu ainda tava vendo um canto para mim aqui no Rio, a intenção mesmo era só deixá-lo ciente da minha decisão.
- Mas ele fez algo com você?
- Sim, e por mais que soubesse como ele era, nunca imaginei que faria o que fez comigo.
- O que ele fez?




                                                                  Continua. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.



                                         A Morte Devagar.


Morre lentamente quem não troca de idéias,
não troca de discurso,
evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajeto
e as mesmas compras no supermercado.
Quem não troca de marca,
não arrisca vestir uma cor nova,
não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru
e seu parceiro diário.
Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema,
mas muitos podem,
e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens
que traz informação e entretenimento,
mas que não deveria,
mesmo com apenas 14 polegadas,
ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos nos is
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços,
coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto
atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio.
Pode ser depressão,
que é doença séria e requer ajuda profissional.
Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda,
e na maioria das vezes isso não é opção e, sim , destino:
então um governo omisso pode matar lentamente
uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se
da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projeto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente,
e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira,
pois quando ela se aproxima de verdade,
aí já estamos muito destreinados 
para percorrer o pouco tempo restante.
Que amanhã, portanto,
demore muito para ser o nosso dia.
Já que não podemos evitar um final repentino,
que ao menos evitemos a morte em suaves prestações,
lembrando sempre que estar vivo
exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.


                                                                                    ( M.M. )




                                              Beijuusss,
                                                              Nallu Ferreira.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Continuação.

- Como já lhe contei, em algum momento na minha infância, meu pai, que não era um exemplo de carinho para conosco, mas mantinha uma atitude amistosa e digna de admiração, em relação a sua postura como chefe da nossa família, se transformou num exemplo de ditador. Impondo regras a todos, inclusive à minha mãe. Eu, que desde bem sedo, sempre fui muito inquieto, vou falar levado mesmo, era constantemente alvo da fúria do meu pai. A cada arte praticada, não tinha conversa, era severamente castigado. Cresci dessa forma, mesmo consciente dos castigos, não deixando de fazer as coisas que gostava e por isso cada vez mais o meu relacionamento com ele, se tornava mais e mais difícil. Apesar de nunca ter o derrespeitado  com palavras, sempre procurei deixar bem claro que jamais agiria ou faria algo, se isso não estivesse dentro daquilo que eu acreditasse, que achasse certo. E isso, acredito eu, foi fazendo com que ele desgostasse de mim. Logo que completei 18 anos, resolvi sair de casa, não querendo confrontar ninguém, quis sair porque não aguentava mais conviver embaixo do mesmo teto que ele, queria ter o meu canto mesmo, independente de como seria esse canto, o que importava mesmo era ter um pouco de paz, me ver podendo ser eu mesmo sem ser repreendido. Jamais quis me afastar da minha família, queria somente ter um canto que pudesse chamar de meu porto seguro, já que a casa do meu pai, sempre foi , por causa única e exclusivamente dele, o meu inferno.
- Nossa, pelo que você tá me falando, sua infância e adolescência foram terríveis.
- Não digo que foi totalmente terrível. Tive sim bons e saudosos momentos vividos ao lado do meu irmão, me lembro perfeitamente do jeito dele sempre carinhoso comigo, apesar da pouca idade, hoje percebo que ele era uma pequena criança grande, tinha o poder de me acalmar, acalentar, mesmo sendo eu seu total oposto. Tinha também a minha mãe, que assim como ele, apesar de todos os motivos para se tornar uma mulher amargurada por tudo o que constantemente vivenciava, era de uma doçura com os filhos, principalmente comigo, que de alguma forma estava sempre sendo julgado e castigado pelos meus atos, mesmo aqueles que podemos considerar, artes infantis.
- Do jeito que você fala dela, parece ser uma mulher digna de admiração.
- Sim, minha ligação com ela é muito maior do que apenas filho e mãe, admiro o modo que define a vida apesar de tudo. A sensação que tenho é que vive em perfeita harmonia com o universo, jamais em 25 anos de vida ouvi uma palavra rude sair de sua boca, mesmo quando não esta sorrindo, seu rosto transmite uma calmaria, uma serenidade contagiante, a simples presença dela junto à mim, me acalma, me traz ao centro. Consigo enxergar nela o meu irmão, assim como sempre consegui fazer o mesmo com ele. Chego a pensar que ele não só foi alguém que saiu de dentro dela junto à mim, mas sim, era parte verdadeiramente falando, da sua alma, e que sua estadia aqui teve que ser temporária, para que pudesse voltar ao seu real lugar a tempo de não deixa-la se perder jamais da sua real essência.
- Nossa JP, como foi linda essa forma que você usou para me passar o amor que sente pelos dois, numa simples definição, mas bem particular, você conseguiu me fazer compreender perfeitamente a essência de ambos e da forma mais linda e doce que pude presenciar alguém falando de um outro alguém. Obrigada mesmo, por essa demostração de confiança que você esta me dando. E logo eu, uma pessoa que você mal conhece.
- Que nada, não precisa agradecer mesmo, tá me fazendo tão bem estar falando com você.
- Que bom!
- Mas continuando ...
 Sim.


                                                            Continua.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Momento de Reflexão.


                         Viver Não Dói.


Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, 
chamado Emilio Moura,
teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse.
Era amigo de outro grande poeta, Drummond.
Chegaram a mim, alguns versos dele,
e um em especial me chamou a atenção:
" Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive."
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não cumpridas.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradeces por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido 
ao lado do nosso amor, e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido
junto e não tivemos, 
por todos os shows e livros
e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos
estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro esta sendo confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
" se iludindo menos e vivendo mais ".


                                            ( A.D. )


                        Beijuusss,
                                        Nallu Ferreira.