- JP você poderia ter se revoltado e se envolvido com vários tipos de pessoas não tão legais, com coisas não tão legais também. Entende o que quero dizer, né?
- Sim, entendo. E saiba que essas pessoas e coisas, também, de certa forma, chegaram sim a mim e que não sou tão correto e digno de admiração assim não, nem tão pouco tão centrado como você acha.
- Hummmm, o que quer dizer com isso, posso saber?
- Até pode, depois de tudo que te contei, acho que isso tá até dentro do normal humano, não é algo tão raro de acontecer, pelo contrário, já faz parte do cotidiano de muita gente e do meu, diariamente.
- Do que está falando?
- Das coisas que você considera não legais, se é que estamos falando a mesma língua, acredito eu que sim, e você?
- Bom, pelo seu modo de falar, vejo que está meio cauteloso em relação a isso, então, vou ser bem clara, estou, quando me referi a pessoas e coisas não legais, querendo dizer traficantes e drogas mesmo. E então, estamos falando a mesma língua?
- Sim, perfeitamente.
- Então me tira uma duvida que pairou aqui.
- Sim.
- Quando fala em fazer parte do seu cotidiano diariamente, esse diariamente quer dizer exatamente o que, que você convive com esse tipo de gente, digo com viciados em drogas, pois não acredito que você tenha uma convivência diária com algum traficante, ou você é um viciado, digo usuário?
- De certa forma os dois.
- Como assim os dois?
- Não tem como você ser um usuário sem se comunicar com um traficante, e quando você usa, automaticamente se aproxima de outras pessoas que fazem o mesmo que você.
- Hummmm ...
Houve um silêncio que durou alguns minutos, pois o mesmo fora quebrado com a chegada em sua janela por uma mensagem vinda dela.
- Me desculpa o silêncio, mas vou te confessar, fiquei um pouco chocada com o que acabara de me dizer.
- É, percebi pela ausência de palavras e posso saber por quê ficou assim?
- Você não parece nem um pouco com alguém que faz essas coisas, não tem o perfil de um usuário.
- E qual é o perfil de um usuário, posso saber?
- Ah sei lá, acho que uma pessoa insegura, que não sabe o que quer, o que fazer, que não tem vida, na verdade nem sei qual é o perfil de um usuário, mas você não tem cara de quem usa essas coisas.
- KKKKKKKKKK, ou seja, você acha que uma pessoa para ser algo, precisa estar estampado na cara dela o que ela faz, é isso, tipo um cartão de visitas?
- Não, ah pra falar a verdade não sei te explicar direito.
- Tudo bem, eu entendi o que você quis dizer, realmente têm usuários que tá escrito mesmo na testa: "Eu uso drogas!"; mas isso na realidade, não é propriamente uma regra, conheço muitas pessoas que tem cara e não fazem nada e ao contrário outras que não têm, assim como eu, e são altamente viciadas.
- Você é altamente viciado?
- Altamente não sei, mas não me considero um simples usuário que fica de boa se ficar num período muito longo em abstinência.
- Então se considera um dependente?
- Sim, sou e tenho consciência disso.
- Então por que não procura um tratamento?
- Acho que porque ainda não bateu aquela vontade de verdade mesmo de parar, já tentei ficar sem usar, até consegui mas não durou muito tempo não.
- Hummm, entendi ... me conta, como começou a usar, alias, se você quiser falar também, o que você usa?
Continua.

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