- Logo que completei 18 anos tomei essa decisão, já havia me decidido bem antes mas como ainda era menor, quis esperar até alcançar realmente a maior idade.
- Sim.
- Numa noite disse ao meu pai que queria fazer um comunicado a ele, e ele automaticamente se pôs sentado numa das cadeiras e me olhou com um ar de superioridade e com um tom bem autoritário me mandou falar logo. Disse que sairia de casa, pois decidira morar sozinho por não aguentar mais o jeito como nos tratava, e como ele sempre havia deixado bem claro que quem estivesse embaixo do teto dele era obrigado a seguir a suas regras, eu decidira que não o queria mais. Por isso iria procurar um canto para mim, pois era um ser humano e como tal tinha as minhas opiniões e vontades, e não um fantoche para agir de acordo com o que me era designado.
- E ele?
- Nossa o olhar que me deu, tive a impressão que ia pular em cima de mim e mais uma vez tentar me calar a base da porrada, mas não, se levantou e se postou diante de mim e me perguntou: - Então você quer ser o dono da sua vida, quer sair da minha casa para poder fazer todas as merdas que adora, é isso mesmo?
Disse que queria sim ter a minha vida, mas não para fazer merda alguma. Só queria ter o meu canto e poder ver as minhas opiniões respeitadas também, coisa que ele não sabia fazer com ninguém, só sabia exigir o respeito de todos e nunca fazia o mesmo.
- Você já tinha falado dessa forma com seu pai?
- Já havia tentado sim conversar com ele, mas desse jeito, encarando ele cara a cara, firme, me pondo diante dele como um outro homem e não um filho, dessa forma foi a primeira vez.
- E ele, de certa forma entendeu você?
- Claro que não né, só pela forma que falou comigo já dá para notar que ao contrário, ficou foi com muita raiva, pois achou que eu o estava encarando, afrontando diante de toda a família. Para ele isso foi nada mais que uma afronta de um moleque sem noção alguma, que só sabia pensar e fazer besteiras, e naquele momento tava querendo tirar dele toda a autoridade que ele impunha à todos.
- Entendi.
- O problema é que eu chamei ele para conversar, porque queria fazê-lo antes de já tá com a mochila nas costas saindo de casa, eu ainda tava vendo um canto para mim aqui no Rio, a intenção mesmo era só deixá-lo ciente da minha decisão.
- Mas ele fez algo com você?
- Sim, e por mais que soubesse como ele era, nunca imaginei que faria o que fez comigo.
- O que ele fez?
Continua.

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