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domingo, 8 de janeiro de 2012

Contunuação.

- Sim, mas tudo bem, não me importo em falar sobre o assunto, acho mesmo que falar, de certa forma, irá me fazer bem. Não que eu, não consiga lhe dar com a situação, pois consigo, afinal estou aqui, de certa forma erguido ... sobrevivendo cada dia um pouco mais.
- Hummm, então é algo bem mais sério do que imaginei!
- Não sei se vai ser tão sério para você, afinal, cada um tem uma maneira de ver um problema e as vezes os das outras pessoas, que sempre lhes parecem tão graves, para nós é muito mais fácil de serem resolvidos.
- Entendo o que quer dizer, mas isso não tira o grau de gravidade que cada problema possa vir a afetar  interiormente cada um.
- É, nisso tenho de concordar com você.
- Mas estou falando sério, se você realmente não quiser falar sobre o assunto, vou te entender mesmo, tá?
- Sei disso Vitória, mas realmente falar não é mesmo o grande problema, o que dói mais é sim ter vivido a situação, e todas as consequências dessa vivência.
- Entendo.
- Bom, houve um tempo lá atrás, em que esse casal aí de uma história de filme existia, eu ainda era muito pequeno mesmo, sabe. Meu pai, apesar de nunca ter sido um exemplo de carinho com os filhos- digo essa coisa mesmo de abraçar, por pra dormir, dizer que ama, até mesmo por ter sido criado dentro de todos aqueles padrões de postura masculina, de como um pai deve agir perante sua família - ele conseguia agir diferente com a minha mãe, era possível perceber, mesmo que as escondidas, o amor, o carinho e o respeito que tinha à ela. Mas, houve uma hora aí nesse ponto de nossas vidas - digo nossas porque atingiu diretamente a todos, como já era de se esperar - ele se perdeu, mudou, se tornou uma pessoas desconhecida, rude, violento ... um perfeito ditador. Passou a agir em casa como se ele próprio fosse um Deus, o dono da verdade, a palavra dele virou lei, as coisas passaram a ser feitas exatamente como ele determinava, a opinião de mais ninguém, nesse caso quero dizer a da minha mãe, não valia de nada. E eu comecei a ver, não só em mim, mas também nos olhos dos meus irmãos, e principalmente nos da minha mãe, o medo ... aquela forma doce que percebia no olhar dela para com ele, se transformou em medo e tristeza, mesmo ela continuando a ser a mesma mãe de sempre comigo e com meus irmãos, isso era algo visivelmente gritante para mim. Sabe, minha mãe era e continua sendo uma mulher muito meiga, doce, suave ... até o modo dela falar, o tom da sua voz, nos faz sentir protegidos, ninados, acalentados de certa forma. E mesmo ela não deixando de ser essa mãe conosco, eu percebi a mudança dentro dela em relação à ele.
- Nossa, é claro que já que era apenas uma criança, você não sabia o por que de toda essa transformação do seu pai, não é mesmo?
- É, e isso é que foi o pior - ser criança - porque apesar de as pessoas acharem que elas estão sempre desligadas de tudo, vivendo dentro do seu mundinho, isso não é verdade, exatamente é quando se é criança, que temos a sensibilidade de percebermos tudo a nossa volta, só que calados muitas vezes, por medo das reações dos adultos.
- Sim, nesse ponto te entendo perfeitamente.
- Sei que sim, até mesmo por tudo o que você me contou.
- É ... me desculpa citar esse fato, mas essa mudança do seu pai se deu depois da morte do seu irmão?




                                                             Continua.  

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