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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Continuação.

- O pó, como é mais conhecido foi bem depois, já modelava. Numa festa de comemoração de um trabalho realizado, fui apresentado oficialmente pela primeira vez e daquele dia em diante não parei mais.
- Hummmm, pelo visto, a onda, como você diz, foi boa também,né?
- Melhor que do fumo, mas também hoje sei, mais perigosa.
- Sabe, mas não para né?
- Sei que deve estar me achando totalmente incoerente, mas chega um ponto que você tá tão dependente, que mesmo vendo o mal que tá fazendo para si próprio, não consegue parar. A vontade de sentir toda aquela sensação boa é maior que seu poder de raciocínio lógico.
- Uma sensação, diga-se de passagem, totalmente ilusória, não é mesmo, porque uma hora deve passar e não acredito que você deva ficar super bem quando todo esse estado de viagem sua termine, ou estou errada?
- Não, pelo contrário, está certíssima. Quando a onda passa, me sinto um lixo, olho a minha volta e percebo todo o mal que estou fazendo a mim mesmo, é uma sensação tão grande de derrota, na verdade, são tantas sensações e pensamentos diferentes que não tenho como te explicar.
- Então já que você sabe o mal que está fazendo a você mesmo, por que não para, por que não procura ajuda? Tenta fazer um tratamento, sei lá, qualquer coisa que te ajude a sair dessa.
- Sei que você tá super certa, mas me falta mesmo vontade de parar.
- Por quê? Quer continuar dependente de algo que sabe só te faz mal? Não entendo, se você mesmo tem consciência do estado que fica quando se vê fora do estado de ilusão que a droga te causa, o que mais precisa para você ter vontade de parar?
- Preciso ter exatamente isso: essa vontade de parar, ela tem de ser maior do que a de querer me manter, a cada problema que surge, num estado de fuga, inconsciente de tudo ao meu redor.
- Não vê que essa inconsciência não é real, que essa fuga é momentânea e que, ao contrário do que possa parecer, no ato da sua viagem, não resolve problema algum, pelo contrário, só te faz ir cada vez mais caindo num buraco negro, que se não tomar cuidado, pode te destruir, te fazer desaparecer ... se perder de si mesmo para sempre.
- Sim, sei mais não consigo.
- Não consegue ou não quer?
- Os dois.
- Me desculpa falar tá, mas foi para isso que você quis ser o dono da sua vida? Teve coragem de romper com toda a sua família em nome da sua liberdade, rompeu para deixar de seguir regras severas, para ter a opção de decidir por si mesmo e não continuar a ser governado por um homem, que você mesmo acabou de me dizer, era um verdadeiro tirano, para agora se deixar ser governado por um vício que te destrói lenta e silenciosamente? Não entendo mesmo!
- Sei que deve ser difícil de entender, nem eu mesmo me entendo.
- Você fala que não entende, mas o pior, no meu ponto de vista , que é algo até que justifique essa sua relutância em parar, seria não admitir a dependência, mas nem isso é, porque você tem consciência desse fato. Tem consciência do estado que fica após o efeito da droga passar, tem consciência de tudo, ou aparentemente, quase tudo.
- Como assim, aparentemente quase tudo?




                                                                  Continua.

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