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domingo, 15 de novembro de 2015



O Exemplo do Elefante.


Quando eu era criança me encantavam os circos e do que eu mais gostava eram os animais.
Tanto a mim, como as outras pessoas - como fiquei sabendo mais tarde - chamava atenção o elefante. Durante o espetáculo, o enorme animal fazia demostrações de peso , tamanho e força descomunais.
Mas depois de sua atuação, e até um segundo antes de entrar em cena, o elefante permanecia preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisionava uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
Sem duvida alguma a estaca era só um pedaço de madeira, apenas enterrado alguns centímetros na terra. E, ainda que a corrente fosse grossa e poderosa, me parecia óbvio que esse animal, capaz de arrancar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancar a estaca e fugir.
O "mistério" era evidente!
O que o mantinha, então? Por que não fugia?
Todavia, eu confiava na sabedoria dos adultos. Perguntei então a um professor, um parente próximo, e um tio distante, sobre o "mistério" do elefante.
Algum deles me explicou que o elefante não escapava porque estava amestrado. Fiz então a pergunta óbvia:
- Se está amestrado por que o prendem?
Não recordo de haver recebido uma resposta coerente!
Com o tempo, esqueci do "mistério" do elefante e da estaca...
Há, alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta. O elefante do circo não escapava porque tem permanecido atado à estaca desde muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido sujeito à estaca. Tenho certeza que, naquele momento, ele puxou, forçou, tratando de soltar-se. E, apesar de todo esforço, não pôde fazer. A estaca era certamente muito forte para ele.
Juraria que dormiu esgotado, e que no dia seguinte voltou a tentar, e também no outro que se seguia. Até que um dia, um terrível dia para a sua história, o animal aceitou sua impotência e se resignou a seu destino.
O elefante enorme e poderoso que vemos no circo não escapa porque crê, realmente, o pobre, que não pode. Ele tem o registro e a recordação de sua impotência, daquela impotência que sentiu pouco depois de nascer. E o pior é que jamais voltou a questionar seriamente esse registro. Jamais voltou a colocar à prova sua força outra vez.
Muitas vezes somos somo os elefantes. Vivemos crendo que muitas coisas " não podemos ". Simplesmente porque, alguma vez, quando éramos crianças, tentamos e não conseguimos.
Fazemos então, como o elefante, gravamos em nossa memória: "Não posso. Não posso e nunca poderei "!
Crescemos carregando essa mensagem que impusemos a nós mesmos e nunca mais voltamos a tentar. Quando muito, de vez em quando sentimos as correntes, fazemos soar o seu ruído, ou olhamos com o canto dos olhos a estaca e confirmamos o estigma: " Não posso e nunca poderei". Sendo que, a única maneira de tentarmos de novo é colocando muita coragem em nossa cabeça e em nosso coração!

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PS.: " O homem livre é senhor da sua vontade e somente escravo da sua consciência".



                                                     Bjuusss,
                                                                     Nallu Ferreira.

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